segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ASTROLOGIA E SAÚDE - I

                             
HIGEIA   ( GUSTAV  KLIMT , 1862 - 1918 )
          
Saúde: estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e seu meio ambiente, mantidas sempre as suas características estruturais e funcionais dentro dos limites normais para a forma particular de vida (raça, grupo humano etc.) e para a fase  particular do seu ciclo vital.

GOYA ,  AUTORRETRATO COM
O DR. ARRIETA , 1820
Doença: é a alteração biológica do estado de saúde de um ser, manifestada por um conjunto de sintomas perceptíveis ou não. Dá-se também a essa alteração o nome de enfermidade, mal, moléstia.

Quando estamos sadios, os órgãos que compõem o nosso organismo funcionam bem, trocam mensagens entre si adequadamente. Há aquilo que chamamos de higidez. “Esquecemos” que o corpo existe (veja os conceitos de homeostasia e de entropia), tudo funciona corretamente.

Quando um órgão encarregado de executar uma função em nosso corpo não está bem, ele sobrecarrega outro, diminuindo assim a taxa de eficiência do sistema, do organismo. Entropia é o nome que damos à medida de variação ou desordem em um sistema. Sob o ponto de vista biológico, entropia é doença, o que confirma a nossa constatação de que se o nosso fim não decorre de um acidente, sempre morreremos aos poucos e aos pedaços.  Atingida uma discutível plenitude, o corpo humano começa logo depois a  definhar aos poucos, órgãos são muitas vezes extirpados e os que ficam vão deixando de trocar mensagens entre si, de cooperar uns com os outros. Ao final, nenhuma mensagem. A morte é silêncio. 




Estas noções de entropia, homeostase, de retroalimentação (feed back) e outras derivam do pensamento cibernético e são muito importantes, a meu ver, quando abordamos questões de saúde sob o ponto de vista astrológico. Imprescindível, pois, que o astrólogo se familiarize com estas noções, ampliando-as, se possível, pelo que puder ser obtido com incursões à teoria da informação, à psicologia da comunicação humana, à semântica etc., que podem ajudá-lo bastante, no que se refere às questões psicossomáticas implícitas,  quando ele se aventurar neste tema. 

A mais recuada formulação do pensamento cibernético nós a encontramos na mitologia grega. Quem o representa é a deusa Metis, uma oceânida, primeira esposa de Zeus, cujo nome lembra antecipação aos acontecimentos, planejamento, juízo avisado, precaução, astúcia, premeditação, facilidade de reprogramação.
NORBERT WIENER
Platão também usou o conceito, associando-o à arte de pilotar barcos, a arte de timonear (kubernetikós). No mundo moderno, a cibernética apareceu no final dos anos de 1940, quando o matemático americano Norbert Wiener começou a publicar os seus trabalhos. Daí para a frente, a cibernética se desenvolveu bastante, como na antiga URSS e em alguns países da Europa, associando-se a outros ramos do conhecimento humano.   

A ciência que estuda as doenças chama-se patologia. Ela considera as causas (etiologia), o mecanismo (patogenia), os seus sinais (semiologia) e os meios de combate-las (terapêutica). Determinar a natureza da doença é o diagnóstico; tirar conclusões sobre a sua evolução é o prognóstico. Tentar suprimir a causa é a profilaxia.

Quanto ao aparelho corporal, o sistema orgânico e os órgãos comprometidos, as doenças podem ser divididas em cardiovasculares, respiratórias, digestivas, geniturinárias, endócrinas, ginecológicas, obstétricas, ósseas, articulares, neurológicas, psiquiátricas, otorrinolaringológicas, oftalmológicas, pediátricas etc.

Há ainda várias maneiras de nos aproximarmos das doenças, em razão de uma filosofia que escolhemos.   Alopatia: sistema médico
que combate as doenças por meios contrários a elas. Homeopatia: sistema médico que combate as doenças por meios semelhantes a elas. Foram os homeopatas  que deram o nome alopatia (all, allo, allos, em grego, outro) à medicina clássica. A palavra foi formada por simples analogia com a palavra homeopatia. Homoiopatheia (pathein, em grego, quer dizer experimentar, suportar; homoios, semelhante) significava similitude de emoções ou de condições. No começo do século XIX, apareceu na Alemanha a palavra homöopathie, de onde passou para outros países, adquirindo um sentido diferente do que tinha no grego. Designava um método empregado no tratamento de pacientes com substâncias capazes de provocar sintomas semelhantes àqueles de sua doença.

Em muitas tradições da antiguidade, a egípcia, a hindu, a chinesa, a grega e outras, sempre se procurou considerar, ao contrário do que vigora hoje generalizadamente no mundo, o homem de modo integral, levando em consideração a sua luz e a sua sombra, seu lado racional e seu lado irracional. Desde fins do séc. XVIII, a ciência, porque soube fazer muito dinheiro, passou a reinar soberana, avocando a si o (in)discutível direito de explicar e orientar o homem. Por isso, suas preocupações acabaram se restringindo praticamente só ao lado racional do homem.  

Ora, o homem é uma unidade que tem dois lados, é consciente e inconsciente, luz e sombra, é corpo e alma, e também espírito, se quisermos. O que acontece num lado afeta o outro. Sob o ponto de vista astrológico que trazemos aqui, tudo o que se manifesta como doença no ser humano tem uma tradução psicológica, social, moral, política, semiológica e muito mais, tudo dependendo do nosso repertório de informações para abordá-la. Não se pretende aqui, é óbvio, que o astrólogo que soube transformar informações em conhecimento e bem treinado nas virtudes não só uranianas, mas, sobretudo, saturninas, substitua um profissional da área médica, longe disso. O que defendemos aqui é que a Astrologia poderá sem dúvida trazer contribuições valiosas para ajudar o homem a cuidar no geral bem melhor da sua vida e em particular da sua saúde. 

A mitologia grega possui três grandes divindades médicas: Apolo, Asclépio e Kiron


APOLO
O primeiro, Apolo, uma das doze grandes divindades olímpicas, é o deus solar da luz, do equilíbrio e da harmonia dos desejos. Representa um ideal de sabedoria que nos fala do controle da vida instintiva pela razão, colocando-se ambos, instinto e razão, a serviço da vida espiritual. É o mais influente dos deuses olímpicos e, como tal, o grande agente das purificações físicas, mentais e psíquicas, atuando na profecia e na inspiração das manifestações artísticas superiores. Era o deus da cura e da proteção contra todas as forças e influências malignas. Tinha como divisas, inscritas no frontispício do seu Oráculo, em Delfos, as máximas: nada em excesso e conhece-te a ti mesmo.

ASCLÉPIO

Asclépio, filho de Apolo, chamado pelos romanos de Esculápio, era o deus-médico de Epidauro, onde tinha o seu santuário, com um grande corpo de sacerdotes-médicos. Era conhecido como o deus-toupeira, animal que vive no interior da terra e que vê no escuro. A razão deste apelido se deve ao fato de que no centro médico do deus praticava-se a interpretação dos sonhos (oniromancia), como técnica privilegiada para se ter acesso ao inconsciente dos pacientes. Outro símbolo seu, a serpente enrolada num bastão, lembrava a vida que renascia e se renovava ininterruptamente. Em Epidauro, a cura do corpo estava condicionada à cura da mente. A isto se dava o nome de metanoia, palavra que lembra a transformação de sentimentos. Grande importância se dava também à nooterapia, prática que procurava reformar o paciente por inteiro, tanto física como psiquicamente. Associadas às diversas terapias curativas, praticavam os pacientes em Epidauro esportes, natação, canto, dança, teatro e outras atividades físicas, mentais e artísticas.


PANACEIA

Teve o deus quatro filhas: Áceso (Cuidadora), Iaso (Cura), Panaceia (Remédio Universal) e Higeia (Saúde), e dois filhos: Podalírio e Macaon, que praticavam a cirurgia. Os descendentes de Asclépio (famílias que consideravam o deus como seu grande ancestral), os chamados Asclepíades, foram todos profissionais da arte médica. O mais famoso dos Asclepíades foi o grande Hipócrates, figura histórica, considerado o Pai da Medicina.


KIRON
Kiron é nome que vem da palavra grega mão, cheir. Era um centauro filho de Cronos e de Filira, no qual se integravam no seu corpo ordenadamente o instinto (a parte animal do seu corpo, inferior) e a razão (a parte humana de seu corpo, humana. A espiritualidade era representada por arco e flechas que sempre tinha consigo. Eram cinco os grandes artes que Kiron ensinava a seus discípulos: a cinegética, a hípica, a agonística, a mântica e a clínica. A primeira, literalmente, caçar com cães, mas simbolicamente nos remetendo a ideias de que na vida devemos sempre buscar (caçar) muito mais oportunidades de crescimento do que procurar acumular; a segunda, literalmente dominar cavalos, saber montar, mas, simbolicamente, controlar a vida inconsciente, o animal que há no homem; agonística, literalmente esporte, disputa, luta (agon), mas simbolicamente entendimento que a vida é luta de contrários, tese-antítese, anabolismo-catabolismo, macho-fêmea, luz-sombra, que o herói precisa resolver ininterruptamente; mântica é adivinhação, profecia, mas, aqui, equivale à arte de decifrar sinais, semiologia; clínica, arte médica, querendo o conceito significar aqui que o herói deve ser o seu próprio médico.   

A Astrologia diante da Medicina preventiva e da Medicina curativa.

A astrologia, como a entendo, qualquer que seja a terapia escolhida, deve preferir sempre uma medicina natural, algo que não mutile, que não agrida o corpo, embora se reconheça que nem sempre é possível que este ponto de vista seja observado. Neste sentido, é que a astrologia se coloca antes a serviço da medicina preventiva, hoje, como se sabe, pouco praticada diante dos enormes lucros que a medicina curativa proporciona. 

MEDICINA  PREVENTIVA
Em nosso país, tradicionalmente, a medicina preventiva sempre ficou nas mãos do Poder Público. As medidas postas em prática nessa área por nossos governantes desde o Brasil colonial sempre se mostraram muito insuficientes, agravada a situação pelo precaríssimo nível dos sistemas de saúde montados e pelas absurdas deficiências quanto às necessidades básicas da população, especialmente no que se refere ao saneamento básico, ambos sob a responsabilidade do Estado.  



Para sustentação dos nossos estudos astrológicos referentes à saúde não podemos esquecer de algumas contribuições da antiguidade que sempre apareceram associadas nesta área, a mitologia de todas as tradições, a alquimia, a filosofia hermética greco-alexandrina e a medicina hipocrática. Faço aqui referências um pouco mais detalhadas a estas duas últimas porque sempre me pareceram menos destacadas nos textos que encontrei sobre o nosso tema. 

Quanto à tradição hermética, há que se estudar principalmente as leis que delas nos chegaram como apresentadas, de modo bastante


sucinto e claro, no texto do Caibalion, editado no Brasil pela Editora Pensamento. Para os que quiserem ir um pouco mais fundo temos também a edição do Corpus Hermeticum da Editora Hemus e, em língua espanhola, uma edição da Edaf, de Madrid, da qual fazem parte outros textos (seleção de Walter Scott). No mínimo, o astrólogo, ao entrar no tema astrologia e saúde, terá que reter as sete leis básicas do Hermetismo: mentalismo (o

Todo é mente
), correspondência (o que está em cima é como o que está em baixo), vibração (nada está parado, tudo se move, vibra), polaridade (tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa), ritmo (tudo tem fluxo e refluxo; ritmo é compensação), causa e efeito (tudo que acontece tem uma causa; o acaso é uma lei desconhecida) gênero (tudo é masculino e feminino, ninguém é inteiramente masculino ou feminino).


Quanto à medicina hipocrática, obrigatórios os aforismos do mestre de Cós (séc. V aC).             No mais, desenvolver estudos quanto às
HIPÓCRATES
relações entre os elementos e as qualidades primitivas, quanto à ciência dos temperamentos e aos humores, tão rejeitados pela ciência oficial. Para Hipócrates, o ponto de partida das suas doutrinas médicas estava numa observação fundamental, hoje muito esquecida: a doença nasce de um desequilíbrio homem-mundo. Por isso, sua medicina era a um só tempo biológica, psicológica, geográfica, histórica, sociológica e astronômico/astrológica.

Em Hipócrates, como para a astrologia, há quatro qualidades primitivas ou primárias universais, quatro modos de ser: o quente, o frio, o seco e o úmido. Os dois primeiros são ativos, operando o quente por expansão e o frio por contração. Os dois outros são passivos, operando o seco por resistência ativa e o úmido deixando-se permear. 

Para o mestre, o microcosmo e o macrocosmo estavam unidos analogicamente. Por oposição ao caos primordial, o cosmos designa o universo ordenado e regido por princípios inteligíveis aos homens. O céu não dependia da vontade, dos caprichos ou do arbítrio de deuses, ele tinha uma ordem interior que assegurava a marcha correta de tudo o que existia nele segundo uma ordem determinada. Os astrólogos hindus, lembre-se, na mesma linha hipocrática, deram o nome de dharma a essa ordem celeste, que devia sempre servir de base àquela que os homens procurassem estabelecer na terra (dharma humano). Não há acaso. No universo, tudo o que acontece tem uma causa.  
           
Alguns aforismos de Hipócrates

A vida é curta, a arte é longa, a ocasião fugidia, a experiência enganosa, o julgamento difícil. 
O médico deve fazer não apenas o que é conveniente para o doente, mas também com que o próprio doente, os assistentes e as circunstâncias exteriores concorram para isso.
Com relação às estações, se o inverno é seco e frio e a primavera chuvosa e úmida, necessariamente ocorrerão no verão febres agudas, oftalmias e disenterias, especialmente nas mulheres e também nos homens de natureza úmida.
Que o alimento seja o teu melhor remédio.
Cavamos a nossa cova com os nossos dentes.

O entendimento da nossa constituição é fundamental quando procuramos ligar a astrologia às artes da cura. Constituir é estruturar; nossa constituição depende da organização dos elementos que estão na base da ordem cósmica, integrados à astrologia, no nosso corpo e na nossa mente. O tema astrológico, como um todo, define a nossa constituição, que tem por base os quatros elementos da tradição e as três dinâmicas universais.

Para Hipócrates, conhecido o temperamento de alguém, que tinha por base os seus elementos constitutivos do universo, era possível determinar os remédios que levariam à cura. O remédio reequilibrava o doente. Uma das máximas de Hipócrates, por exemplo, quanto a este particular era muito interessante: contrariamente à opinião muito aceita hoje, o mestre de Cós dizia que, no geral, para curar, ao invés de se dar alguma coisa, de se acrescentar algo, era preferível tirar. Temperamento, para Hipócrates, era constituição física particular que gerava um conjunto de traços psicológicos e morais, determinante da índole de alguém, isto é, do seu modo de ser. Temperamento é índole, propensão, constituição psicofísica particular, conjunto de características vitais. Cada temperamento se relaciona com um elemento, dando-nos uma ideia do caráter, dos traços distintivos de alguém. Caráter quer dizem etimologicamente coisa gravada, marca. Temperamento é dosagem; temperar é misturar de forma equilibrada, amenizar, suavizar.

Desde a antiga Mesopotâmia, o estudo dos elementos e dos temperamentos chamou a atenção do homem. Há mais de uma centena de classificações sobre essa matéria. A mais lógica é, sem dúvida, a da astrologia, de fácil entendimento; quando aplicada conscientemente, é ela que produz os resultados mais satisfatórios.

Para a astrologia, os quatro elementos e os quatro temperamentos se correspondem. Na vida universal, na tradição ocidental, como sabemos, os quatro elementos, fogo, terra, ar e água, lutam entre si constantemente. As antigas teorias médicas que chegaram até a época moderna tinham sempre a finalidade de harmonizar os diferentes elementos no ser humano; a ideia era a de que nenhum deveria dominar sob pena de se romper o equilíbrio. Se isto acontecesse, era preciso retemperar o paciente. 




A teoria dos temperamentos foi abandonada pela Medicina que se pretende científica, hoje quase que inteiramente voltada para os seus aspectos quantitativos, numéricos, econômicos, curativos e não preventivos. A antiga doutrina dos temperamentos incluía noções muito vastas e heterogêneas.  A mente moderna não sabe mais lidar com leis como as da correspondência, do gênero, da polaridade e outras; essas noções fazem parte hoje de domínios isolados, considerados muito diferentes, extravagantes. Perdeu-se a visão do Todo e com ela o seu conceito fundamental, o de que no corpo humano como no universo tudo é interdependente.

A visão hipocrática, à qual se associa a astrológica que defendemos, ao se voltar para um paciente, para aquele que está sentindo, sofrendo (pathos, sofrimento) alguma coisa, entende que medicamentos escolhidos a partir de diagnósticos individuais sempre são insuficientes. Isto porque a medicina hoje praticada concentra-se no que chamo de diagnósticos “fechados”, deixando de lado a ideia de meio ambiente, vida interior e tudo o mais de que Hipócrates falava; deixa de lado sobretudo a questão da vivência subjetiva da doença, quase sempre ignorada completamente. Quanto à anamnese, então, nem pensar.   

Quatro são as classificações gerais dos temperamentos: linfático, bilioso, atrabiliário e sanguíneo. Estes temperamentos se ligam às quatro estações, aos quatro estados da matéria (líquido, etérico, sólido e gasoso), aos quatro elementos que formam os signos zodiacais e aos quatro humores hipocráticos (fleugma ou pituíta, sangue, bile negra e bile amarela).

Ao temperamento linfático correspondem os signos de água, Câncer, Escorpião e Peixes. Ao sanguíneo, os de ar, Gêmeos, Libra e Aquário. Ao bilioso, os de fogo, Áries, Leão e Sagitário. Ao atrabiliário, os de terra, Touro, Virgem e Capricórnio. Cada um destes temperamentos tem as suas virtudes, as suas deficiências, as suas doenças típicas. 

Se sabemos que o estado natural da água é o repouso, de características geradoras, femininas portanto, pela lei da analogia
ANATOMIA DA MELANCOLIA
ROBERT  BURTON 
percebemos que pessoas em que predomina o temperamento línfático são normalmente, embora nem sempre (há também muitas tempestades nos mares!), calmas, suaves, tranquilas. O ar é instável, agita a terra, “pede” o sangue, que deve circular por todo o corpo, movimentando-o. Já o fogo lembra sempre a ação; associa-se ao temperamento bilioso, devorado por sua atividade, a sua bile. O fogo fala de combustão, implica sempre uma superativação dos fenômenos vitais. O atrabiliário, às vezes chamado nervoso, é do lado da terra, retraído, contido, cerebral, reservado.


 Definições

Humor: líquido secretado pelo corpo e que era tido como determinante das condições físicas e mentais de um indivíduo. Usado também na medicina antiga para designar um estado afetivo durável que depende da constituição psicofisiológica do organismo como um todo, constituindo o cenário no qual os diferentes conteúdos psíquicos tomam uma tonalidade afetiva. Popularmente, humor é estado de espírito, de ânimo, disposição. Daí se falar de uma pessoa mal humorada, bem humorada.  1) Linfa: etimologicamente, água, sobretudo a limpa; meio líquido orgânico originado do sangue, composto de proteínas e lipídeos, que circula nos vasos linfáticos e transporta glóbulos brancos, especialmente linfáticos. O linfático, segundo Hipócrates, se caracteriza pela lividez das carnes, flacidez de músculos, apatia, falta de vigor, de energia. 2) Sangue: líquido vermelho, viscoso, que circula pelas artérias e veias, bombeado pelo coração, transportando nutrientes necessários à proteção do organismo. O sanguíneo é ativo, curioso, interessado e, muitas vezes, dispersivo. 3) Bile: substância amarelo-esverdeada secretada pelo fígado, que atua no duodeno, auxiliando especialmente na emulsificação e absorção das gorduras. Bilioso é normalmente o irritado, agressivo, de mau gênio, mal-humorado. 4) Atrabile (etimologicamente, atra, negro; bile negra): a ela se atribuía o temperamento melancólico, irascível, hipocondríaco, que pode levar à prostração, à tristeza, ao abatimento físico e mental; a melancolia é considerada hoje como uma das fases da psicose maníaco-depressiva. 5) Fleugma: na medicina hipocrática, humor causador de indolência ou apatia; fleugmático é o comportamento daquele que não sente nenhuma emoção ou não deixa transparecer sentimentos ou perturbação alguma. 6) Pituíta: na medicina hipocrática, muco proveniente do encéfalo eliminado pelo nariz; no latim, tomou o sentido de catarro, ranho, monco.